Ela se via jogada sob seus problemas, uma montanha. Ela se equilibrava sentada e abraçada aos joelhos, e lá de cima conseguia deslumbrar uma figura caótica e desesperada chamada terra.
Seus problemas não eram de fato assim tão grandes, mas ela sempre fora de “outro planeta”, uma figura singela, baixinha e magricela, tinha cabelos curtos e negros, olhos opacos e inexpressíveis, sentada em seus problemas e observando a terra.
E então, ela se pegou em um sorriso enviesado, de menina sapeca que acabou de aprontar, um vento que vinha sabe-se lá de onde a atingiu, e alguns de seus conflitos voaram e subiram ao topo de sua montanha, ficando junto dela. Por algum motivo ela sentiu uma necessidade inexplicável de se levantar, e com muito cuidado ela se plantou de pé, pisando com o sapado sujo em cima de um amor não resolvido.
A terra continuava lá, indefesa, sendo destruída aos poucos, por dentro, e por fora. Ela fechou os olhos, utilizou o resto de suas forças e respirou fundo, e um cheiro de esperança e sorriso infantil tomou conta de sua narina. Ela abriu mais uma vez um sorriso, agora largo e se pegou de braços abertos, ela não queria mais seus problemas, decidira assim, de coração gelado que não precisava deles.
TUM.
Sentiu uma fincada no peito, quente.
Ela sabia que podia fazer alguma coisa, não tudo, mas ao menos a sua parte, ela não estava sozinha.
TUM
De novo, e ela se entregou, sentiu o sangue agora quente em suas veias, sorriu e com os braços ainda abertos ela se jogou do alto de seus problemas, e voou.
Abriu os olhos e o peito se encheu, não sabia bem ao certo o que era, mas isso a tranqüilizou um pouco. Olhou para terra, enfraquecida e mal tratada. Sim, ela podia tentar fazer alguma coisa, abraçou o mundo com os dois braços, o coração acelerou e ela só emitiu um som, baixinho, mas foi o suficiente para a terra ouvir.
- Vai ficar tudo bem.
E então se pegou ao desespero, ela não estava sozinha, nunca esteve, eram milhões, bilhões de pessoas encarregas de tomar conta da terra.
- Ela pode morrer! – Gritou ela, sacudindo seu corpinho magricela no meio da multidão.
Seus olhos se encheram de lágrimas, ela tentou gritar mais uma vez, e foi em vão. Ninguém a ouvia, ninguém se importava. Ela gritou mais uma vez, o mais alto que pode, sentiu a garganta fraca. Não sabia o que fazer. “dependemos dela, porque eles querem deixa - lá morrer?”
Sentou-se em lugar qualquer em sua alma, abraço a terra contra seu peito o mais forte que pode, lagrimas caíram e pingaram delicadamente sobre o globo em seu colo, o coração ficou amargo, as palavras se perderam no fundo da garganta. Ela não sabia o que fazer.
- Desculpe. – Foi só isso que ela conseguiu dizer.
PS: Desculpa gente, ando péssima em criatividade, eu sei.