E talvez eu seja distraída demais para perceber as coisas ao meu redor, sei lá. Mas só percebi alguma coisa, quando suas mãos delicadas envolveram as minhas, olhei para o seu rosto e o vento levou seus grandes cabelos cor de avelã para trás - você sorriu, fez uma careta como se falasse: “Aii, tem coisa aí”.
E então vieram as vendas, eu sorria e berrava para o céu azul daquela manhã de quarta-feira, o sol era como um buraco no céu, quente e eufórico. Escuridão. Sim havia alguma coisa ali. Eu podia ouvir vozes, risinhos e maquinas fotográficas, apertei sua mão e você apertou a minha de volta.
E pode parecer ridículo, mas me senti especial ali, não por estarmos vendadas no meio de um campo com um sol sobre nossas cabeças enquanto colocava-mos goela abaixo qualquer coisa que nos revelasse o que era aquilo tudo. Era porque percebi que eu podia contar não só com você, mas com umas das vozes que nos guiavam para a escuridão quente daquele campo, por que ela era uma voz confortante e inesquecível.
“Aniversariantes”
Claro, eu dia 1 e você dia 2, ri da idéia de não ter imaginado antes, ri da idéia de terem se lembrado da gente, amigos especiais como os nossos são difíceis de encontrar, e tive certeza disso no momento em que tirei a venda dos meus olhos e senti minha pele fresca, o cabelo molhado e o baque de algo no alto da minha cabeça, ri alto, aberto e de cara molhada.
Eram tantas as pessoas, tantos os amigos, e eu corria - “bexigas d’água”-, já era inevitável, nossas roupas estavam encharcadas e eu não podia deixar de sorrir, era uma manhã doce e imprevisível gostei do cheiro daquilo tudo, pensei nas cinzas esquecidas em uma clareira e ri ainda mais pela distração.
***
Senti a camisa quente sobre minha pele molhada, era macia. Abri a porta e sorri pra você, sorri pra a voz que nos guiou para o inevitável bombardeio de bexigas d’água, e fiquei feliz, o coração esquentou e ai veio a noticia: ainda não acabou.
A verdade é que não há muito que ser dito, algumas coisas só são especiais pelo fato de serem simplesmente feitas de coração, e eu amei o bolo com as velinhas de numero 16 em cima, amei todas àquelas pessoas se lembrando de uma data que não foi só importante pra mim, mas pra você. Eu dia 1 e você dia 2.
Eu sorri.
Eu poderia descrever com detalhes a guerra de bolo que resultou no final, nas minhas roupas encharcadas e no meu sorriso constante, poderia contar e escrever tanta coisa que acabaria transbordando de detalhes amáveis. E então, é que nada mais importa.
Porque, eu tenho os melhores amigos do mundo, tenho os melhores sorrisos guardados dentro do peito, peguei como recordação o numero 6 em cima do bolo, e o restou se tornou banal. Foi o melhore presente da minha vida, me deixou imensamente feliz e isso basta.
Obrigada a toda galera que organizou essa surpresa pra mim e pra Kety, tenho certeza que ela sente o mesmo, e sim eu amo vocês mais que tudo na terra.
E sorri de novo, pra sempre.
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