terça-feira, 24 de maio de 2011

Remember

E eu ainda lembro do seu sorriso encardido, e lembro de jeito doce, sabe? Todas as manhãs bem cedinho, quando eu acordo e vou correndo pra varanda eu lembro daquela sua risada rouca e da sua camisa velha, que eu dizia odiar a cor, porque ela não tinha cor de coisa alguma, e me lembrava coisas nojentas, e você ria alto da minha careta.

E o céu sempre laranja, do jeito que você gostava, ou nós gostávamos, corro pra varando as 6h da manhã porque aprendi com você a arte de apreciar as cores do céu. E o nosso preferido sempre foi o alaranjado do amanhecer no fim do verão.

O céu laranja e a caneca de café esfriando no parapeito, o vento levava a fumaça da caneca, singela, que se dispersava a nossa frente, feito tuas mentiras de conquistador barato, e você ainda sorria encardido pra mim. Também de querer voltar correndo pra cama, e de você me segurando pelo edredom dizendo que eu estava quente ali também, colocava as suas mãos na minhas e eu via o sol nascer com o som da sua respiração na minha nuca. E tudo era prosa, quase sempre poesia.

As vezes eu coloco aquele cd que você adora, um que tem um cara de sorriso torto e cigarro na boca, como se fumasse nossos segredos, lembra? É, e eu o coloco pra lembrar de quando voltávamos para a sala, e eu deixava o som alto pra sentir você fazer versos com suas mãos na minha pele quente, e de quando você fazia sorrisos com meus lábios.

E quando a música acaba, eu deixo o silêncio entrar em todos os cômodos da casa que um dia foi nossa, mas agora é minha e do Zé Ruela, o gato branco que você achou na rua e amarrou com uma fita pra me dar de presente no ano passado.

Ficamos os três, eu, o Zé o Ruela e o silêncio como se fôssemos uma família, como se fôssemos uma banda falida, e só deixo do jeito que esta pra lembrar do dia em que você foi embora e meu deu um ultimo sorriso encardido, mas sem aquele risada rouca.

A última coisa que eu me lembro desse dia quase trágico, é de ter jogado todos aqueles versos que você fez com as suas mãos pelo parapeito da varanda quando o céu estava laranja e o meu café frio.

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6 Sonharam comigo:

Ná Lima disse...

A lembrança e uma rotina que fica impregnada no corpo.
A frieza do café é como lâminas que descem pela garganta remetendo a dor de uma saudade que o orgulho as vezes insiste em não dizer...

Thainá Vivas disse...

Bom dia Duh!
Passando aqui para ver como estão as coisas e como sempre, seus textos arrasam. Cada vez melhores.

Bjão!

Mariana Castro disse...

Aain Gê, isso foi explendido.
arrasando sempre.

sinto falta desses seus textos.
E sinto saudade de você.

beijinhos/morde

Leela Morená disse...

Sempre tão intensa que chega a penetrar na alma de quem lê (:
adoro tudo isso aqui

Tânia T. disse...

Como as lembranças incomodam.. e machucam.. elas são crueis!!! ;D



TAva com saudade do seu cantinho.. Menina sempre tão talentosaa!! :DDD


Bjuuu =*

Anônimo disse...

Muito clichê.